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Comentário na orelha do
livro "Deus no Banco dos Réus":
A TEODICÉIA CRISTÃ
Todos os povos criaram narrações da origem e significado do mundo.
Geralmente com imagens e exemplos acessíveis às pessoas comuns. Nas
grandes religiões multinacionais este material foi sistematizado pelos
sacerdotes e teólogos.
José Pereira dos Santos, cristão praticante e
escritor fértil apresenta neste livro uma versão clara, lúcida e direta,
calcada em trechos retirados das Escrituras e exemplos do cotidiano. Um
empreendimento corajoso e não isento de riscos.
Colocamos Deus no banco dos réus a cada vez que nos queixamos das
aparentes injustiças que verificamos cotidianamente. Este processo chegou
a um ponto que as pessoas se perguntam se Deus não deu as costas ao nosso
mundo por desgosto, dando origem a um largo processo de ateísmo
contemporâneo. Diante deste problema o autor retorna a Teodicéia Cristã.
Iniciando sua argumentação com o primeiro distúrbio da criação: a
rebelião dos anjos e a introdução do Mal no Universo. E segue mapeando as
intervenções divinas no sentido da Redenção.
O risco embutido na argumentação está ancorado na
escolha da abordagem. A Justiça e o Direito fornecem as imagens,
alegorias e argumentos, nos levando diretamente ao mundo dos processos,
dívidas, pagamentos, pendências e julgamentos. Sendo a justiça humana o
que é atualmente - sentenças judiciais são compradas e advogados
acobertam o crime organizado - a analogia fica prejudicada.
Porém, na obra de José Pereira não há negociação: há
uma escolha individual a ser cumprida na obra de Redenção e isto não é
negociável. O autor ataca o problema de forma vigorosa, didática e
veemente. A meu ver seu maior mérito é retornar a exposição de uma velha
questão de maneira clara e com um vocabulário contemporâneo, acessível a
todos.
Iuras Avlis Sarrab -
pesquisador em História da Religiões.
 
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